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A Teoria do Chaves é uma teoria criada por Ademir Luiz, que sugere que a Vila do Chaves é uma representação do inferno.

A TeoriaEditar

Segundo Ademir, "Bolaños encheu sua criação de sinais que devem ser decodificados para que se revele seu verdadeiro sentido de auto moralizante".

"O primeiro e mais importante é o título. Originalmente, o seriado chama-se “El Chavo Del Ocho”, ou traduzindo do espanhol: “O Moleque do Oito”. O verdadeiro nome do protagonista nunca foi pronunciado, cha­mam-no apenas de “Moleque”. É certo que um “chavo”, ou “moleque”, é quem faz molecagens; quem subverte a ordem do que seria moral e socialmente aceito como correto. O “moleque” é um pecador. Portanto, o seriado trata de pecados. Não de pecados mortais, mas, com certeza, de pecados capitais."

O número da casa de Chaves, 8, também alimenta a teoria.

"O protagonista não mora em um barril, mas na casa número 8. Sendo órfão e morador de rua, foi recolhido por uma idosa, talvez a própria morte materializada, pois habita o 8. Basta deitar o numeral que obtemos o símbolo do infinito. E a morte é infinita; não há vida antes da vida e após a vida volta-se a condição anterior."

Os personagens "são obrigados a se suportarem mutuamente pela eternidade, num ciclo infindável de acusações e violência".

"Chiquinha chuta a canela de Quico e faz seu pai pensar que o menino foi o agressor, enervado Seu Madruga belisca Quico, que chama Dona Florinda, que acerta um tapa no vizinho gentalha, que descarrega a raiva no Moleque, que atinge o Seu Barriga quando ele chega para cobrar o aluguel. Enquanto isso, o professor Girafales, queimando de desejo, bebe café, com um buquê de rosas no colo, sem desconfiar o porquê de tanta repetição."

As características das personagens são reflexos dos pecados cometidos por eles em vida.

  • "Chaves, o Moleque, sempre faminto, cometia o pecado da gula."
  • "Seu Madruga, que têm muito trabalho para continuar sem trabalhar, cometia o pecado da preguiça."
  • "A ganância de Seu Barriga é óbvia. Quem mais cobraria o aluguel mensal praticamente todos os dias?"
  • "O pequeno marinheiro Quico, o menino mais rico da vila, é movido pela inveja."
  • "Chiquinha é marcada pela personalidade intolerante, raivosa. Imitando o Pateta, usava o automóvel como uma arma potencializadora de sua ira."
  • "Dona Florinda e o Pro­fessor Girafales foram libertinos do porte do Marquês de Sade e Messalina (ou os próprios). Mestres na arte da luxúria, acabaram condenados a eternidade de abstinência sexual."
  • "Dona Clotilde, a bruxa do 71, padecia de extrema vaidade. O gênio de Bolaños teve a sutileza de convidar uma ex-miss, a espanhola Angelines Fernández, para interpretar a personagem."

Segundo as ideias do teólogo Peter Binsfeld, cada um dos pecados capitais possuem um "patrono infernal". Eles também rondam a vila.

"A bela menina Paty e sua tia Glória são Belzebu e Belphegor metamorfoseados em súcubos, demônio sexuais femininos, prontos para atiçar outros apetites. O galã de novelas Hector Bonilla, que visitou a vila, nada mais é do que Asmodeu na forma de um íncubo, demônio sexual masculino, tumultuando a relação do casal de libertinos castrados. Nhonho é Mammon, instigando o pai avaro a gastar. Pópis é Azazel, esmerando-se em despertar a ira de Chiquinha com sua futilidade enervante. Godinez é Leviatã atiçando a inveja de Quico, com suas respostas tão certeiras quanto involuntárias ao Mestre Linguiça."

"Figuras de pouca relevância como Dona Neves, Sr. Furtado, os jogadores de ioiô, os alunos anônimos na escola, os clientes do restaurante, o pessoal do parque e do festival da boa vizinhança, além de outros coadjuvantes, são entidades demoníacas menores, com a função de criar a ilusão de normalidade".

Jaiminho seria um médium, a única personagem "do lado de cá".

"Seu constante estado de fadiga é resultado do esforço sobre-humano necessário para cruzar as dimensões. Prova disso é a descrição que Jaiminho dá de sua terra natal, Tangamandápio, que trata-se na verdade de uma alegoria. Tangamandápio seria na verdade a representação de todo o planeta; a terra dos vivos. As cartas que transporta são psicografias e a bicicleta que nunca larga, apesar de não saber andar, nada mais é do que um totem, ao estilo de A Origem, necessário para que possa voltar para realidade."

Por fim, Ademir compara sua Teoria com o mito de Sísifo.

"O Moleque e companhia estão condenados a empurrar inutilmente por uma ladeira íngreme essa imensa pedra chamada cotidiano, que sempre rola de volta, obrigando-os ao tormento do eterno retorno. A pedra de Quico é quadrada, não rola, desliza. É cômico, apesar de trágico."

Vídeo Editar

O Canal Nostalgia lançou um vídeo simplificado sobre a Teoria em agosto de 2014, que pode ser assistido a seguir:

TEORIA DO CHAVES - Nostalgia

TEORIA DO CHAVES - Nostalgia

Fonte Editar